DOS RESTAURANTES AOS PASSEIOS À BEIRA DO TEJO, DOS CONCERTOS AOS JOGOS DE CASINO, DO OCEANÁRIO AOS BARES ANTES DO SONO, O PARQUE DAS NAÇÕES FOI INVENTADO PARA CONVENCER OS LISBOETAS DE QUE TODOS OS DIAS DA SEMANA CALHAM AO DOMINGO. UM LUGAR FAMILIAR, COM UM CENTRO COMERCIAL A CONDIZER, TERREIRO PINTALGADO DE VERDE POR MAIS DE UM TERÇO À CONTA DO MAIS NOVO DOS BAIRROS ALFACINHAS SER FEITO DE JARDINS, VIRADO AO RIO DE MÃOS À ILHARGA COMO SE PEGASSE O FUTURO COMO QUEM LIDA UM TOURO.
No princípio, era a outra banda da banda deste lado. Um espaço imenso usando a língua de rio para tudo o que a indústria petrolífera ordenasse que assim fosse. Reservas, manutenção, distribuição, um vai-e-vem de camiões-cisterna e petroleiros, uma azáfama que não conhecia horas certas de folga. Uma pedaço de cidade onde, a bem dizer, não havia flor que se cheirasse. Quando Lisboa ganhou o direito e o dever de criar de raiz uma Exposição Universal, aquela que em 1998 dedicou aos oceanos, ao que dele ganhamos e o que de lá tiramos, este era o espaço certo para desactivar uma fatia de indústria de petróleo e resolver através de uma grande mostra de escala mundial um problema antigo: como nas Olimpíadas, o que fazer com uma feira internacional depois de idos os proveitos, os visitantes e as despesas? Haveria um futuro para lá das dívidas e das dúvidas?
Lisboa decidiu criar um novo bairro, que por ser feito de raiz podia sonhar em ser perfeito. Sob a bênção da longa e bela Ponte Vasco da Gama, recebida em apoteose de ferro e cimento pela Estação do Oriente, a cidade tentaria fazer tudo certo, de uma vez por todas, uma vez sem exemplo. O Parque das Nações é a bem sucedida saga dessa ideia.
Não sai barato, para dizer o mínimo dos mínimos, viver no Parque das Nações. E ainda hoje há quem se preocupe com a mancha imobiliária, que a construção de habitação não dá sinal de descanso. Quem lá mora questiona-se se tomou a decisão certa quando toda a gente do planeta parece ter pensado em ir morar para o mesmo sítio. O equilíbrio, está bem de ver, vem das atracções, da forma como o Parque das Nações se abre ao visitante e a quem com ele vem por bem.
Há os que começam pelo teleférico (não havendo precipícios ou desfiladeiros, o termo técnico será o de ‘telecabine’) que em traço longitudinal mostra à beira-rio tudo o que floresce em terra, da ponta do Teatro Camões (casa da Companhia Nacional de Bailado), ao fim da avenida de restaurantes e bares, propósito primeiro ou último de uma visita ao lugar.
Enquanto uns fazem jogging a curar a digestão ou a preparar-se para a comezaina, sucedem-se os trunfos do Parque das Nações: o melhor Oceanário da Europa, o Pavilhão do Conhecimento-Ciência Viva, a Feira Internacional de Lisboa, a Marina, o monumental Altice Arena (vai mudando de nome num rodopio de aluguer e compra mas é o espaço de tudo o que no país aposta em ser megalómano), o Pavilhão de Portugal e sua pala ‘suicidária’ e, mais discreto do que devia, a verdadeira montra da melhor arquitectura contemporânea, assinada por quem sabe, vindo dos quatro cantos do mundo.
Com os espaços verdes e seus jardins de diferentes tamanhos e intenções chega a arte de rua, declaração criativa urbana em pintura, graffiti, escultura ou azulejo, apostada em demonstrar que o sonho de fazer do Parque das Nações uma Lisboa a roçar a perfeição continua viva e a recomendar-se. Um lugar para todos, mesmo para os que não têm lá casa. O Centro Comercial Vasco da Gama trata de confirmar a integração de quem lá mora ou chega em visita, as avenidas largas que em paralelas desafiam o rio incham em alternativas de pequeno comércio, de variada restauração.
No Parque das Nações passa-se um belíssimo domingo. A qualquer dia da semana.